Black Ops 7: Call of Duty Transformado em Jogo Online Obrigatório e Gerado por IA | Tech No Logico

Black Ops 7: Call of Duty Transformado em Jogo Online Obrigatório e Gerado por IA | Tech No Logico

Black Ops 7: O Call of Duty que os fãs esperavam virou um jogo online obrigatório (e gerado por IA)

Você esperava uma campanha épica para jogar no seu ritmo, pausar quando o delivery chegasse e salvar o progresso para continuar depois do almoço? Pois é — a Activision tinha outros planos. O Black Ops 7, lançado recentemente para PC, PlayStation e Xbox, chegou com uma reviravolta que pegou até os veteranos da franquia de surpresa: adeus ao single-player tradicional, olá ao multiplayer cooperativo obrigatório.

E tem mais: os jogadores descobriram que boa parte do conteúdo visual foi criada por inteligência artificial. A pergunta que não quer calar é se isso representa inovação ou apenas um atalho que compromete a experiência.

O que mudou (e por que deveria te preocupar)

A campanha de Black Ops 7 não é mais aquela jornada solo que você controla do início ao fim. Agora, ela funciona como uma série de missões cooperativas online, onde você precisa estar conectado à internet o tempo todo. Não pode pausar. Parece detalhe?

Para quem tem internet instável ou divide a TV com a família, isso muda absolutamente tudo.

Impacto real: Se sua conexão cair no meio de uma missão, você perde o progresso. Se precisar atender uma ligação urgente, não dá para pausar. Se quiser jogar offline? Esquece.

O que muda para você?

Antes (Black Ops 6 e anteriores):

  • Jogava offline quando quisesse
  • Pausava a qualquer momento
  • Salvava o progresso automaticamente
  • Controlava o ritmo da história

Agora (Black Ops 7):

  • Conexão online obrigatória
  • Sem opção de pausa
  • Perda de progresso se desconectar
  • Ritmo ditado pela estrutura cooperativa

Para o jogador brasileiro, isso tem peso extra. Segundo dados da Anatel, cerca de 30% das conexões de internet no Brasil ainda apresentam instabilidade frequente. Traduzindo: aproximadamente 1 em cada 3 jogadores pode ter a experiência comprometida por algo que não depende dele. É curioso notar que a Activision implementou essas mudanças justamente num mercado emergente onde a infraestrutura de internet ainda está se consolidando.

A IA que ninguém pediu

Enquanto a mudança no formato da campanha gerou debates acalorados, outro problema veio à tona — o uso extensivo de inteligência artificial na criação de conteúdo visual. Jogadores identificaram que Cartões de Visita e outros elementos gráficos foram gerados por IA, seguindo uma tendência que a Activision começou em Modern Warfare 3 e intensificou em Black Ops 6.

Como identificar? Procure por:

  • Texturas com padrões repetitivos e “estranhos”
  • Detalhes anatômicos distorcidos em personagens
  • Elementos visuais que não seguem a lógica física (sombras inconsistentes, proporções erradas)

A questão não é a tecnologia em si. IA pode ser uma ferramenta poderosa quando bem aplicada. O problema é quando ela substitui o trabalho artístico sem agregar valor real à experiência. Os Cartões de Visita, por exemplo, são um elemento de personalização importante para os jogadores — uma forma de expressar identidade dentro do jogo. Quando eles parecem “genéricos” ou “sem alma”, a conexão emocional com o jogo simplesmente desaparece.

Convenhamos: se você está pagando R$ 300 num jogo AAA, espera arte feita por humanos que entendem o que torna um design memorável.

Black Ops 6 vs. Black Ops 7: O que você ganhou (e perdeu)

RecursoBlack Ops 6Black Ops 7Impacto
Modo single-playerDisponívelRemovidoPerda de autonomia
Pausa na campanhaSimNãoImpossível interromper
Jogo offlineSimNãoDepende de conexão
Conteúdo gerado por IAPresenteIntensificadoMenos personalização
Disponibilidade Game PassNãoSimAcesso facilitado

O único ponto positivo? Black Ops 7 está disponível no Game Pass Ultimate desde o lançamento. Para quem já é assinante, o investimento adicional é zero.

Mas se você estava pensando em comprar o jogo avulso, a conta fica diferente: será que vale pagar esse preço por uma experiência que exige internet estável 24/7 e não oferece a campanha tradicional que definiu a franquia?

Por que a Activision fez isso?

A resposta tem três letras: GaaS (Games as a Service, ou Jogos como Serviço). A indústria descobriu que jogos online contínuos geram receita recorrente através de microtransações, battle passes e conteúdo sazonal. Um jogo single-player tradicional? Você compra uma vez e pronto; a desenvolvedora não vê mais um centavo do seu bolso.

Essa mudança vem sendo construída há anos:

  • 2023: Modern Warfare 3 introduz IA em elementos visuais
  • 2024: Black Ops 6 expande o uso de IA e testa formatos online
  • 2025: Black Ops 7 consolida o modelo cooperativo obrigatório

A Activision não está sozinha nessa estratégia. Outras desenvolvedoras seguem o mesmo caminho — observe o que aconteceu com Assassin’s Creed e até The Division. Mas Call of Duty sempre foi sinônimo de campanhas cinematográficas e memoráveis. Abrir mão disso é apostar que os jogadores vão aceitar a mudança ou simplesmente não vão ter escolha.

O que nos leva a crer que esta é apenas a primeira fase de uma transformação maior.

O que esperar dos próximos títulos?

Se Black Ops 7 é um teste de mercado — e tudo indica que é — os números de vendas e engajamento vão ditar o futuro da franquia. Três cenários são possíveis:

Cenário 1 – Aceitação: Se os jogadores se adaptarem e continuarem jogando (e gastando), a Activision vai dobrar a aposta. Próximos títulos podem aprofundar ainda mais o modelo online cooperativo, possivelmente eliminando até o multiplayer tradicional em favor de modos de serviço contínuo.

Cenário 2 – Resistência: Se as críticas se traduzirem em queda nas vendas — e não apenas em reclamações no Reddit — a empresa pode recuar parcialmente, oferecendo um “modo clássico” como alternativa. Porém, esse modo provavelmente virá com menos recursos e investimento.

Cenário 3 – Divisão: A franquia pode se dividir em duas linhas: uma voltada para o público tradicional (single-player offline) e outra para o modelo GaaS. Pense em como Battlefield tentou fazer isso com Battlefield 2042 e depois precisou voltar atrás.

O mais provável? Uma mistura dos três, com ajustes graduais baseados no feedback.

Mas uma coisa é certa: a Activision não vai abandonar o modelo de serviço. Ele é financeiramente mais atrativo; os investidores adoram receita recorrente previsível. A questão é quanto da experiência tradicional será sacrificada no altar da monetização contínua.

Vale a pena jogar?

Depende do que você procura — e essa não é uma resposta evasiva.

Se você é fã de multiplayer competitivo e já tem uma conexão estável, Black Ops 7 entrega a experiência frenética que a série sempre ofereceu nesse modo. O arsenal está equilibrado, os mapas são bem desenhados e a jogabilidade continua sólida. Nesse aspecto, a Activision não decepcionou; o DNA do multiplayer de Call of Duty permanece intacto.

Mas se você comprava Call of Duty pela campanha — aquela experiência cinematográfica que você jogava no seu tempo, pausava quando precisava e rejogava para pegar todos os coletáveis — este não é o jogo que você conhece. Não é nem uma versão modificada; é fundamentalmente diferente.

Para assinantes do Game Pass Ultimate, o risco é baixo: teste sem custo adicional e decida por si mesmo. Para quem está pensando em comprar, a recomendação é clara: assista a gameplays completos antes de investir. A experiência mudou demais para comprar às cegas baseado na reputação da franquia.

No fim das contas, Black Ops 7 representa um ponto de inflexão. Ou a comunidade aceita essa nova direção, ou a Activision será forçada a reconsiderar. Só o tempo (e os números de vendas) dirão.

Veredicto Tech No Logico: Black Ops 7 é tecnicamente competente, mas estrategicamente questionável. A Activision escolheu o lucro recorrente em vez da experiência do jogador — e isso cobra seu preço na forma de críticas e frustração da base fiel. Se você tem internet estável e gosta de cooperativo, pode funcionar. Se esperava o Call of Duty de sempre, prepare-se para a decepção. E talvez seja hora de perguntar: até onde estamos dispostos a ir em nome do “jogo como serviço”?

Vinícius Sousa

Especialista em Engenharia de Computação e Arquitetura de Soluções, dedicado à análise técnica de hardware, software e tendências globais.

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