Microsoft Lens será descontinuado em março: guia completo para migrar seus documentos digitalizados
A Microsoft oficializou na semana passada o fim do Microsoft Lens, aquele app que você provavelmente já usou para escanear um documento às pressas ou salvar um código QR importante. Se você é usuário ativo da ferramenta, convenhamos: o tempo está correndo. O cronograma de encerramento já começou e você tem menos de dois meses para encontrar um novo lar para suas digitalizações.
A decisão faz parte de uma estratégia mais ampla da gigante de Redmond — consolidar funcionalidades em seus aplicativos principais. Mas o que isso significa para quem depende do Lens no dia a dia? Simples: é hora de agir.
✓ 9 de janeiro (já aconteceu): Início oficial do processo de descontinuação
📱 9 de fevereiro: Remoção das lojas App Store e Google Play Store
🚫 9 de março: Desativação total — o app não digitalizará mais nada
O que está acontecendo com o Microsoft Lens?
O Microsoft Lens, que começou sua trajetória como “Office Lens” lá em 2015, chegou ao fim da linha. Na semana passada, a Microsoft puxou o gatilho: o processo de descontinuação começou oficialmente, e agora temos um cronograma bem definido pela frente.
Em fevereiro, o aplicativo some das lojas. Novos usuários não conseguirão mais baixá-lo, mas quem já tem instalado ainda poderá usar normalmente — por enquanto. O golpe final vem em março: a partir do dia 9, o app não conseguirá mais digitalizar imagens. Você ficará apenas com um visualizador dos documentos que já escaneou, o que, convenhamos, não serve para muita coisa.
A Microsoft não se estendeu em explicações públicas sobre o porquê dessa decisão. Mas a estratégia fica clara quando olhamos para onde as funcionalidades estão migrando: OneDrive e Microsoft 365 Copilot. É a velha história da consolidação — menos apps no portfólio, mais recursos concentrados nos carros-chefe.
Por que o Lens virou alvo do machado corporativo?
Convenhamos: manter um aplicativo separado para digitalização faz cada vez menos sentido num mundo onde a câmera do seu celular já faz isso nativamente. Três razões explicam o fim do Lens.
Primeiro, a própria Microsoft admite que os smartphones modernos tornaram apps dedicados de digitalização menos necessários. O Google Lens está integrado ao Android; a Apple embutiu um scanner decente no app Notas. Quem precisa de um app separado quando a câmera nativa já resolve?
Segundo, a consolidação de recursos. A gigante de Redmond vem empacotando funcionalidades dispersas em seus produtos principais — uma estratégia que já vimos com o Skype for Business virando Teams e o Authenticator perdendo funções. O OneDrive agora faz tudo que o Lens fazia, e a Microsoft prefere ter um app menos para manter.
Terceiro ponto: popularidade. A empresa menciona “notas altas nas lojas”, mas convenhamos — se o app fosse realmente essencial para milhões de usuários, não estaria sendo cortado. No fim das contas, produtos que não atingem massa crítica viram candidatos naturais ao corte.
Cronograma: o que já passou e o que vem pela frente
A Microsoft não deixou ninguém no escuro quanto às datas. O cronograma é cristalino:
9 de janeiro (já rolou): Anúncio oficial e início do processo de descontinuação. Se você abriu o app nos últimos dias, provavelmente viu um aviso sobre isso.
9 de fevereiro: O Microsoft Lens desaparece das lojas App Store e Google Play Store. Novos usuários não conseguirão mais baixá-lo, mas quem já tem instalado ainda pode usar normalmente por mais um mês.
9 de março: Game over. O app não digitaliza mais nada — vira apenas um visualizador dos documentos que você já escaneou antes.
O que está por trás dessa decisão?
A Microsoft não fez um anúncio pomposo explicando o porquê. Mas não é difícil conectar os pontos.
Primeiro: consolidação. A gigante de Redmond tem empurrado funcionalidades do Lens para dentro do OneDrive há meses. Faz sentido — por que manter dois apps quando um pode fazer o trabalho?
Segundo: a concorrência nativa. Convenhamos, smartphones modernos já vêm com scanners de documentos integrados. O Google Lens está embutido no Android há anos, e até a Apple colocou um scanner decente no app Notas. O Microsoft Lens virou, digamos, redundante.
Terceiro: números não mentem. Apesar das “notas altas nas lojas” (palavras da própria Microsoft), o app claramente não conquistou uma base de usuários que justificasse continuar investindo nele. É curioso notar que a empresa mantém produtos de nicho por anos, mas quando chega a hora de enxugar o portfólio, os menos populares são os primeiros a cair.
Microsoft Lens vs. Alternativas Principais
| Recurso | Microsoft Lens | OneDrive | Google Lens | Adobe Scan |
|---|---|---|---|---|
| Digitalização de documentos | ✓ | ✓ | ✓ | ✓ |
| Leitura de QR/códigos | ✓ | ✗ | ✓ | ✗ |
| OCR (reconhecimento de texto) | ✓ | ✓ | ✓ | ✓ |
| Sincronização na nuvem | ✓ | ✓ | ✓ | ✓ |
| Gratuito | ✓ | ✓ | ✓ | ✓ (com limitações) |
| Edição avançada | Básica | Básica | Básica | Avançada |
Como migrar seus documentos antes de março
Se você tem documentos importantes salvos no Microsoft Lens, o momento de agir é agora. Aqui está o que fazer:
Passo 1: Acesse seus arquivos
Abra o Microsoft Lens e vá para “Meus Arquivos” ou “Biblioteca”. Todos os documentos digitalizados aparecem ali.
Passo 2: Exporte para a nuvem
Selecione os documentos que quer preservar e toque em “Compartilhar” ou “Exportar”. Salve no OneDrive, Google Drive ou envie por email para você mesmo. Prefira a nuvem — email é prático, mas não é backup.
Passo 3: Organize por categorias
Aproveite a migração para organizar: documentos pessoais, recibos, cartões de visita. Parece trabalhoso agora, mas você vai agradecer depois quando precisar achar aquele recibo de três meses atrás.
Passo 4: Teste a alternativa escolhida
Antes de março, experimente sua nova ferramenta com alguns documentos de teste. Você precisa se acostumar com a interface e confirmar que a qualidade atende suas necessidades — melhor descobrir agora do que na correria.
Qual alternativa escolher?
Depende do seu perfil:
Para usuários casuais: OneDrive é a escolha óbvia. Se você já usa outros serviços Microsoft, a integração será perfeita. O recurso de digitalização funciona bem para documentos básicos — nada revolucionário, mas cumpre o papel.
Para usuários Android: Google Lens está integrado ao sistema e oferece funcionalidades similares ao Microsoft Lens: leitura de QR codes, tradução em tempo real, e digitalização de documentos. Você provavelmente já o tem instalado.
Para uso profissional: Adobe Scan oferece recursos mais avançados de edição e organização. Se você digitaliza muitos documentos no trabalho e precisa de qualidade consistente, vale a pena explorar.
Para usuários iPhone: O app Notas da Apple tem um scanner integrado surpreendentemente bom. Está sempre disponível no sistema, não ocupa espaço extra, e a qualidade é superior ao que muita gente imagina.
O padrão das descontinuações Microsoft
O fim do Microsoft Lens não é um caso isolado. A empresa tem feito uma “limpeza” em seu portfólio nos últimos anos:
- Skype for Business: Substituído pelo Microsoft Teams (que, convenhamos, faz muito mais sentido no contexto corporativo atual)
- Dev Home: Recurso removido do Windows 11
- Authenticator: Perdeu a função de armazenamento de senhas
Essa estratégia faz sentido do ponto de vista empresarial: menos aplicativos para manter, recursos concentrados nos produtos principais, experiência mais coesa para o usuário. É curioso notar que a Microsoft está fazendo o que muitas empresas de tecnologia evitam — matar produtos que ainda funcionam, mas não se encaixam mais na visão de longo prazo.
🔄 Migre gradualmente: Não espere até março. Comece a usar a alternativa escolhida ainda esta semana — dá tempo de se acostumar sem pressão.
📂 Faça backup: Exporte todos os documentos importantes para pelo menos dois locais diferentes. Um na nuvem, outro no computador.
🧪 Teste funcionalidades: Cada app tem suas particularidades. Descubra qual funciona melhor para seu tipo de documento antes de depender dele.
⚙️ Configure sincronização: Se escolher o OneDrive, ative a sincronização automática. Você não quer perder nada por esquecimento.
O que esperar do futuro
A tendência é clara: funcionalidades de digitalização estão se tornando recursos nativos dos sistemas operacionais e aplicativos principais. O Google já fez isso com o Google Lens, a Apple integrou scanner no app Notas, e a Microsoft está consolidando tudo no OneDrive.
Para o usuário final, isso pode ser positivo — menos aplicativos instalados, funcionalidades mais integradas, experiência mais fluida. O desafio é se adaptar às mudanças e encontrar a ferramenta que melhor se encaixa no seu fluxo de trabalho.
O Microsoft Lens teve uma boa jornada de 11 anos. Começou como “Office Lens” em 2015, ajudou milhões de pessoas a digitalizar documentos, e agora chega ao fim de uma forma relativamente organizada. Com o cronograma bem definido e alternativas disponíveis, a transição pode ser tranquila — desde que você não deixe para a última hora.
O que nos leva a crer que, no fim das contas, a maior lição aqui é: em tecnologia, nada é permanente. Adapte-se ou fique pra trás.
