Amazon demite 16 mil em “Project Dawn”: 30 mil cortes em 3 meses | Tech No Lógico

Amazon demite 16 mil em “Project Dawn”: 30 mil cortes em 3 meses | Tech No Lógico

Amazon Demite 16 Mil Funcionários em “Project Dawn”: 30 Mil Cortes em Apenas 3 Meses

A Amazon anunciou hoje a demissão de aproximadamente 16 mil funcionários corporativos — apenas três meses após cortar 14 mil vagas. São trinta mil profissionais desligados em um trimestre: um número que equivale à população inteira de uma cidade como Cabo Frio, no Rio de Janeiro.

Mas o que chama atenção aqui não são apenas os números brutos. É como a empresa tentou gerenciar a comunicação. Ontem, um e-mail interno vazou acidentalmente, revelando que internamente as demissões eram chamadas de “Project Dawn” – Projeto Amanhecer. A ironia dispensa comentários: para a Amazon, pode ser um novo amanhecer; para dezesseis mil famílias, é o fim de uma era.

Destaques Rápidos

  • 16 mil demissões anunciadas hoje (28/01/2026)
  • 30 mil cortes em apenas 3 meses (outubro 2025 + janeiro 2026)
  • 10% da força corporativa será desligada nesta rodada
  • “Project Dawn” era o codinome interno para as demissões
  • 90 dias de prazo para recolocação interna (funcionários americanos)
  • Áreas atingidas: AWS, Prime Video, Alexa, Kindle, publicidade e RH
  • Brasil: Sem informações oficiais sobre impacto local

O Vazamento que Revelou a Estratégia

A comunicação corporativa da Amazon tropeçou feio ontem. Colleen Aubrey, vice-presidente sênior de soluções de IA aplicada da AWS, enviou por engano um e-mail sobre as demissões. O convite para uma “reunião de equipe” foi cancelado quase imediatamente — mas já era tarde demais.

O e-mail revelou o codinome “Project Dawn” e antecipou o anúncio oficial em 24 horas. Para uma empresa que prega eficiência operacional como mantra, foi uma falha de comunicação significativa. E reveladora sobre como as demissões vinham sendo planejadas nos bastidores.

“Mudanças como essa são difíceis para todos. Essas decisões são difíceis e são tomadas de forma cuidadosa, à medida que posicionamos nossa organização e a AWS para o sucesso futuro.” — Colleen Aubrey, VP da AWS

É curioso notar que a palavra “difícil” aparece duas vezes em duas frases consecutivas. Talvez seja genuíno desconforto; talvez seja apenas o script corporativo padrão.

Duas Rodadas, Mesma Justificativa

A comparação entre os dois ciclos de demissões mostra um padrão que, no mínimo, levanta questões:

AspectoOutubro 2025Janeiro 2026
Funcionários cortados14 mil16 mil
Justificativa oficial“Reduzir camadas e burocracia”“Reduzir camadas e burocracia”
Áreas mais atingidasAlexa, varejoAWS, Prime Video, Alexa
ComunicaçãoAnúncio diretoVazamento + anúncio
Período de recolocação90 dias (EUA)90 dias (EUA)

Beth Galetti, vice-presidente de Experiência de Pessoas e Tecnologia, usou praticamente as mesmas palavras para justificar ambas as rodadas: “fortalecer a organização reduzindo camadas, aumentando a propriedade e eliminando a burocracia”.

Convenhamos: se o diagnóstico era o mesmo em outubro, por que não fazer tudo de uma vez? A resposta oficial é que “algumas equipes só concluíram o trabalho organizacional agora”. Soa conveniente demais.

A Contradição Entre Discurso e Prática

Beth Galetti foi enfática ao negar que este seja “o início de um novo ritmo” de demissões mensais. Mas os fatos contam outra história — e uma história bem diferente. Em três meses, a Amazon eliminou 30 mil posições corporativas: uma média de dez mil por mês.

A executiva insiste que não há planos para tornar isso recorrente. O que nos leva a crer que, ou a empresa está sendo sincera sobre uma reestruturação pontual (mas mal planejada), ou está gerenciando a narrativa para evitar pânico interno e externo.

A terceira opção, claro, é que ela genuinamente não sabe o que vem pela frente. No fim das contas, promessas corporativas sobre estabilidade têm o mesmo valor de mercado que ações de uma startup pré-receita.

AWS no Centro da Tempestade

A Amazon Web Services — considerada a joia da coroa da empresa — não escapou dos cortes. Isso é particularmente significativo porque a AWS tem sido o motor de lucros da Amazon, gerando a maior parte da receita operacional da companhia nos últimos anos.

Os cortes na divisão de nuvem sugerem que mesmo as áreas mais rentáveis não estão imunes à reestruturação. Para o mercado brasileiro, onde a AWS tem investido pesadamente em datacenters e parcerias estratégicas, isso levanta questões desconfortáveis sobre a continuidade dos planos de expansão.

Se até a galinha dos ovos de ouro está perdendo penas, o que esperar das outras divisões?

O Que Isso Significa Para o Brasil

A Amazon não informou se os cortes atingem o Brasil — deixando funcionários locais em um limbo informativo que, por si só, já diz bastante sobre a prioridade comunicativa da empresa. Considerando que a companhia tem operações significativas no país (desde centros de distribuição até escritórios de tecnologia em São Paulo e outras capitais), a ausência de comunicação específica é, no mínimo, preocupante.

O mercado brasileiro de tecnologia, que vinha absorvendo talentos dispensados por outras big techs ao longo de 2025, pode enfrentar uma nova onda de profissionais qualificados buscando recolocação. Não é necessariamente ruim para quem contrata; é péssimo para quem está do outro lado da mesa.

Linha do Tempo dos Cortes

Outubro 2025

  • Amazon demite 14 mil funcionários
  • Foco em Alexa e operações de varejo
  • Justificativa: “reduzir camadas e burocracia”

23 de janeiro de 2026

  • Reuters antecipa novos cortes para esta semana
  • Mercado reage com apreensão

27 de janeiro de 2026 (ontem)

  • E-mail sobre “Project Dawn” vaza acidentalmente
  • Convite para reunião é cancelado quase imediatamente
  • Funcionários compartilham o vazamento internamente

28 de janeiro de 2026 (hoje)

  • Anúncio oficial de mais 16 mil demissões
  • Beth Galetti nega planos para novos cortes regulares
  • Período de recolocação de 90 dias começa para funcionários americanos

O Futuro Incerto

Para os dezesseis mil funcionários americanos afetados, os próximos 90 dias serão cruciais. A Amazon oferece período de recolocação interna — mas com tantas áreas sendo cortadas simultaneamente, as oportunidades podem ser limitadas. É como oferecer um bote salva-vidas em um navio onde metade dos compartimentos está alagando.

A empresa insiste que não planeja fazer deste um “novo ritmo” de demissões. Mas depois de trinta mil cortes em três meses, a credibilidade dessa promessa está, digamos, em xeque.

O “Project Dawn” pode ter sido o codinome interno, mas para milhares de famílias representa o fim de um ciclo e o início de uma busca por estabilidade em um mercado de tecnologia cada vez mais volátil. Amanhecer para uns; anoitecer para outros.

A Pergunta que Fica

Se uma das maiores e mais lucrativas empresas de tecnologia do mundo precisa cortar trinta mil empregos em três meses — alegando “eliminar burocracia” e “reduzir camadas” —, o que isso realmente diz sobre o futuro do setor como um todo?

Será que estamos diante de uma reestruturação pontual, ou testemunhando o início de uma transformação mais profunda na forma como essas gigantes operam? E mais: se até a AWS, que imprime dinheiro, está cortando, que sinais isso envia para startups e empresas menores que dependem da narrativa de crescimento do setor?

As respostas, infelizmente, só virão com o tempo. E provavelmente através de outro e-mail acidentalmente vazado.

Vinícius Sousa

Especialista em Engenharia de Computação e Arquitetura de Soluções, dedicado à análise técnica de hardware, software e tendências globais.

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