Mercado Livre Demite 119 Funcionários na América Latina — e a IA Está Redesenhando o Mercado de Trabalho
A maior plataforma de e-commerce da América Latina acaba de dar um sinal claro de como a inteligência artificial está redesenhando o mercado de trabalho. Na última quinta-feira, o Mercado Livre demitiu 119 funcionários na região, sendo 38 no Brasil. O detalhe que ninguém pode ignorar: a maioria eram profissionais de UX, especificamente redatores de experiência do usuário.
A empresa nega categoricamente que as demissões tenham relação com substituição por IA. Mas os fatos? Bem, eles contam uma história bem diferente.
Destaques Rápidos
- 119 demissões na América Latina, 38 no Brasil
- Foco em UX writers — profissionais que criam textos para interfaces
- Timing revelador: empresa intensificou monitoramento de IA no ano passado
- CEO saiu em 2025 para se dedicar exclusivamente a projetos de inteligência artificial
- Funcionários que ficaram ganharam acesso a novos recursos de IA
O Padrão Por Trás das “Reorganizações”
Vamos conectar os pontos. Em 2025, Marcos Galperin deixou o cargo de CEO para se dedicar exclusivamente a projetos de IA. No mesmo ano, a empresa passou a exigir que funcionários documentassem todo uso de inteligência artificial — com métricas acompanhadas de perto pelos gestores, diga-se de passagem.
Agora, em janeiro de 2026, os redatores de UX — justamente a área onde a IA generativa tem mostrado maior eficiência — foram os primeiros a ir embora.
Coincidência? Segundo a empresa, sim. Segundo os fatos… convenhamos, nem tanto.
Discurso vs. Realidade
| Aspecto | Declaração Oficial | Fatos Observados |
|---|---|---|
| Motivo das demissões | “Reorganização estratégica” | Foco específico em redatores de UX |
| Relação com IA | “Não há substituição por IA” | Intensificação do uso de IA em 2025 |
| Timing | “Medida pontual” | Após saída do CEO para projetos de IA |
| Futuro da área | “Estruturas mais ágeis” | Designers assumem redação com IA |
A Nova Realidade do UX Writing
Para quem não conhece o universo, UX writers são os profissionais responsáveis por criar todos aqueles textos que você vê em apps e sites: botões, mensagens de erro, instruções de uso. É um trabalho que exige criatividade, sim — mas também segue padrões bem definidos.
Exatamente o tipo de tarefa onde a IA generativa brilha.
Os funcionários que permaneceram na empresa já receberam acesso a novos recursos de inteligência artificial. Agora, designers terão que incorporar funções de redação usando essas ferramentas tecnológicas. É como se a empresa tivesse dito: “Por que ter um especialista em textos quando nossos designers podem fazer isso com ajuda da IA?”
A resposta oficial? “Está evoluindo os perfis em UX para serem integrados de forma mais eficaz com as áreas de design e conteúdo.”
“Está evoluindo os perfis em UX para ser integrada de forma mais eficaz com as áreas de design e conteúdo. Essa transformação busca fomentar estruturas mais ágeis e colaborativas, aproveitando a tecnologia para continuar melhorando a experiência de nossos usuários.” — Mercado Livre
O Paradoxo do Crescimento
Aqui está a parte mais intrigante: o Mercado Livre criou quarenta e duas mil vagas na América Latina no ano passado. A empresa está crescendo, contratando, expandindo. Mas começou 2026 cortando justamente nas áreas criativas.
Isso sugere uma estratégia bem específica: crescer em volume, mas automatizar o que for possível. É a matemática da eficiência moderna — mais vendas, menos custos com pessoal especializado.
Para uma empresa com 120 mil funcionários na região (55 mil só no Brasil), cento e dezenove demissões podem parecer pouco. Mas o simbolismo? Enorme.
Linha do Tempo da Transformação
- 2025 — Início do ano: Marcos Galperin deixa o cargo de CEO
- 2025 — Meio do ano: Implementação obrigatória de documentação de uso de IA
- 2025 — Final do ano: 42 mil novas contratações na região
- Janeiro de 2026: Demissões focadas em UX writers
Cada movimento faz sentido quando visto em conjunto. A empresa estava se preparando para esta transição há meses — talvez até um ano inteiro.
O Que Isso Significa Para Outros Profissionais?
Se você trabalha com conteúdo, design ou qualquer área criativa, este caso do Mercado Livre é um termômetro importante. A pergunta não é mais “se” a IA vai impactar sua profissão, mas “quando” e “como”.
As empresas estão testando os limites do que podem automatizar sem perder qualidade. O Mercado Livre, com seus milhões de usuários espalhados pela América Latina, é um laboratório perfeito para essa experiência.
A boa notícia? Profissionais que souberem trabalhar COM a IA — em vez de competir contra ela — provavelmente sairão na frente. A má notícia? Quem não se adaptar pode seguir o caminho dos 38 brasileiros demitidos na semana passada.
É curioso notar que a empresa não está simplesmente eliminando a função de UX writer; ela está redistribuindo essa responsabilidade para designers equipados com ferramentas de IA. O que nos leva a crer que a questão não é “eliminar o texto”, mas sim “tornar sua criação mais eficiente” — mesmo que isso signifique menos gente especializada.
O Futuro Já Chegou (E Está Demitindo)
Apesar da negativa oficial, o Mercado Livre acabou de mostrar como grandes empresas realmente enxergam a inteligência artificial: não como uma ferramenta de apoio, mas como uma substituta viável para certas funções.
A questão agora é saber quais outras áreas e empresas seguirão este mesmo caminho. E, principalmente, como os profissionais vão se reinventar para continuar relevantes neste novo cenário. Será que outras gigantes de tech já estão observando este movimento com atenção?
Uma coisa é certa: a revolução da IA no mercado de trabalho não é mais uma previsão futurista. Ela está acontecendo agora — uma demissão de cada vez.
Segundo informações da Folha de S.Paulo, as demissões afetaram principalmente a equipe de UX writers, área que registrou crescimento significativo no uso de tecnologias de IA.
