Planeta “quase Terra” a 150 anos-luz pode ser habitável — mas há um problema gelado | Tech No Lógico

Planeta “quase Terra” a 150 anos-luz pode ser habitável — mas há um problema gelado | Tech No Lógico

Planeta “quase Terra” a 150 anos-luz pode ser habitável — mas há um problema gelado que desafia a vida

Imagine encontrar um vizinho cósmico que parece perfeito para a vida. Você se aproxima com expectativa, só para descobrir que ele vive em um freezer permanente. É exatamente isso que aconteceu com a mais recente descoberta astronômica que está agitando a comunidade científica.

Cientistas acabam de revelar a existência do HD 137010 b, um exoplaneta que pode ser o candidato mais promissor para habitabilidade já encontrado nas proximidades do nosso sistema solar. Mas antes de fazer as malas para uma mudança intergaláctica, você precisa saber de um detalhe crucial: o lugar é mais frio que a Antártida.

Destaques Rápidos

  • Tamanho: Apenas 6% maior que a Terra
  • Distância: 150 anos-luz do nosso sistema solar
  • Temperatura máxima: -68°C (mais frio que qualquer lugar habitado na Terra)
  • Chance de habitabilidade: 50%, segundo os pesquisadores
  • Status: Ainda é um “candidato” — precisa de confirmação
  • Descoberta: Feita por cientistas cidadãos, incluindo um estudante do ensino médio

O planeta que quase acertou na loteria cósmica

O HD 137010 b está localizado na chamada “zona habitável” — aquela faixa ao redor de uma estrela onde a água pode existir em estado líquido. É como estar na distância perfeita de uma fogueira: nem muito perto para queimar, nem muito longe para congelar.

Só que aqui está o problema: sua estrela hospedeira é bem mais “econômica” que o nosso Sol. Ela fornece menos de um terço da luz e calor que recebemos aqui na Terra. É como tentar se aquecer com uma lamparina em vez de um aquecedor de verdade.

“Há cerca de 50% de chance de o HD 137010 b ser habitável”, explica Alex Venner, astrônomo da Universidade do Sul de Queensland e autor principal do estudo publicado esta semana na revista Astrophysical Journal Letters. “O planeta está realmente no limite do que consideramos possível em termos de potencial habitabilidade.”

Repare no verbo: se confirmado, ele pode ser habitável. A ciência, convenhamos, é bem mais cautelosa que as manchetes sugerem.

Por que este planeta chamou tanta atenção?

A resposta está na palavra “proximidade” — pelo menos em termos galácticos. Chelsea Huang, pesquisadora da mesma universidade, coloca em perspectiva:

“O que é realmente empolgante nesse planeta do tamanho da Terra é que sua estrela está a apenas cerca de 150 anos-luz do nosso sistema solar. O próximo melhor planeta ao redor de uma estrela semelhante ao Sol, em uma zona habitável, está cerca de quatro vezes mais distante e é 20 vezes mais fraco.”

Para entender essa “proximidade”, imagine que nossa galáxia é do tamanho do Brasil. O HD 137010 b estaria na mesma cidade que nós, enquanto outros candidatos habitáveis estariam em outros estados. Ainda assim, Sara Webb, astrofísica da Universidade de Swinburne, traz uma dose de realismo: “Se tentássemos chegar lá, levaríamos dezenas de milhares, senão centenas de milhares de anos viajando nas velocidades atuais.”

CaracterísticaTerraHD 137010 bMarte
Tamanho relativo100%106%53%
Período orbital365 dias355 dias687 dias
Temperatura média15°C-68°C-65°C
Distância da estrela1 UASimilar a Marte1,5 UA

O frio que pode não ser problema (talvez)

Aquela temperatura de -68°C pode parecer um impeditivo total. Mas não necessariamente. Marte tem temperatura média de -65°C, e sabemos que já teve água líquida em sua superfície no passado. A diferença pode estar na atmosfera.

Se — e esse “se” é enorme — o HD 137010 b tiver uma atmosfera densa o suficiente, ela poderia funcionar como um cobertor cósmico, criando um efeito estufa que manteria a água em estado líquido em algumas regiões. É o mesmo princípio que faz a Terra ser habitável, só que em versão mais extrema.

É curioso notar que o planeta possui uma órbita similar à da Terra, com cerca de 355 dias. Isso significa que, se você morasse lá (e conseguisse sobreviver ao frio), teria um calendário quase idêntico ao nosso. Aniversários viriam na mesma frequência — uma pequena consolação em um mundo congelado.

A descoberta que começou com estudantes

Uma das partes mais fascinantes desta história é como tudo começou. A descoberta inicial foi feita por cientistas cidadãos — pessoas comuns que analisam dados astronômicos como hobby — incluindo um estudante de ensino médio. Eles estavam examinando dados coletados pelo telescópio Kepler da NASA há quase uma década, em 2017.

É como se alguém encontrasse um tesouro escondido em fotografias antigas que estavam guardadas no sótão. Os dados estavam lá, esperando que alguém com olhar atento os descobrisse. Isso mostra que a ciência moderna não é mais exclusividade de laboratórios inacessíveis: qualquer pessoa com curiosidade e dedicação pode contribuir para expandir nosso conhecimento sobre o universo.

O que vem pela frente?

Aqui está o ponto crucial: o HD 137010 b ainda é oficialmente um “candidato” a planeta. Para ser confirmado, ele precisa de pelo menos uma observação adicional independente. É como um diagnóstico médico — você sempre quer uma segunda opinião antes de bater o martelo.

E mesmo que seja confirmado, determinar se ele é realmente habitável exigirá observações muito mais sofisticadas. Os cientistas precisarão analisar sua atmosfera (se houver alguma), medir sua composição química e entender melhor suas características geológicas. Tudo isso demandará tempo, recursos e provavelmente o uso de telescópios ainda mais avançados, como o James Webb.

No fim das contas, estamos falando de anos — talvez décadas — até termos uma resposta definitiva sobre a habitabilidade deste mundo distante.

E daí? Por que isso importa para você?

Esta descoberta representa um passo significativo na busca pela resposta à pergunta que a humanidade faz há milênios: estamos sozinhos no universo? Cada planeta potencialmente habitável que encontramos nos aproxima dessa resposta — mesmo que a resposta final seja “não sabemos ainda”.

Além disso, estudar mundos como o HD 137010 b nos ajuda a entender melhor as condições necessárias para a vida. Pode até mesmo nos dar pistas sobre o futuro da Terra; se conseguirmos confirmar que um planeta tão frio pode abrigar vida, isso expande drasticamente as possibilidades de onde procurar.

O HD 137010 b pode não ser o “segundo lar” da humanidade que alguns imaginam. Mas ele certamente é um laboratório cósmico fascinante que pode revolucionar nossa compreensão sobre habitabilidade planetária.

E quem sabe? Talvez a vida seja mais resiliente do que pensamos, e um planeta gelado a 150 anos-luz de distância possa estar nos ensinando exatamente isso.

Segundo informações oficiais

Vinícius Sousa

Especialista em Engenharia de Computação e Arquitetura de Soluções, dedicado à análise técnica de hardware, software e tendências globais.

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